Informação que acolhe, orienta e transforma.
Este conteúdo foi elaborado pela Dra. Maryllia Vasconcelos, médica com atuação em Neurodesenvolvimento Infantil, com o objetivo de informar e orientar pais, cuidadores e educadores sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), sinais de alerta, diagnóstico e exames que podem compor a avaliação clínica, incluindo aspectos importantes como a seletividade alimentar e possíveis deficiências nutricionais.
“Cada criança é única. O diagnóstico não é um rótulo, é o início de um caminho de compreensão, acolhimento e intervenções que fazem a diferença na vida dela.”
Dra. Maryllia Vasconcelos
Neurodesenvolvimento infantil
CRM-CE 17749
O QUE É O TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA (TEA)?
O TEA é uma condição do neurodesenvolvimento que afeta a comunicação, a interação social e o comportamento. Ele é chamado de “espectro” porque cada criança apresenta características, necessidades e habilidades de formas e intensidades diferentes, desde as mais sutis até as que exigem maior suporte no dia a dia.
Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Academia Americana de Pediatria (AAP), o diagnóstico baseia-se na observação clínica e na história do desenvolvimento da criança, não tendo um exame específico que confirme o TEA.
Segundo a Dra. Maryllia Vasconcelos:
“O diagnóstico do autismo é essencialmente clínico. Não existe exame de sangue, ressonância ou eletroencefalograma que diagnostique autismo. Avaliamos o desenvolvimento da criança como um todo: comunicação, interação social, comportamentos, aspectos sensoriais e história de vida.”
SINAIS QUE MERECEM ATENÇÃO POR FAIXA ETÁRIALembre-se: nenhum sinal isolado confirma TEA. A avaliação é sempre individualizada.
0 a 12 meses
- Pouco contato visual
- Não sorri de volta
- Não reage ao nome
- Pouco interesse em interagir
- Dificuldade com sons altos
1 a 2 anos
- Atraso na fala ou ausência de palavras
- Não aponta para mostrar algo
- Não imita gestos simples
- Prefere brincar sozinho
- Movimentos repetitivos (balançar, bater mãos)
2 a 3 anos
- Frases curtas ou ecolalia (repete o que ouve)
- Dificuldade para brincar de faz de conta
- Resistência a mudanças de rotina
- Foco intenso em um único tema ou objeto
- Sensibilidade sensorial (luzes, sons, texturas)
3 anos ou mais
- Dificuldade de fazer amigos
- Interpretação literal do que escuta
- Dificuldade para entender regras sociais
- Ansiedade, irritabilidade ou crises frequentes
- Interesses restritos e intensos
O QUE OBSERVAR NO DIA A DIA?
Comunicação
- Atraso na fala
- Dificuldade para iniciar ou manter conversas
- Pouco uso de gestos
Interação social
- Pouco interesse em outras crianças
- Dificuldade em compartilhar
- Não entende as emoções dos outros
Comportamentos
- Movimentos repetitivos
- Apego intenso a rotinas
- Dificuldade com mudanças
Aspectos sensoriais
- Hipersensibilidade a sons, cheiros, texturas
- Busca ou evitação de estímulos sensoriais
COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO?
- Anamnese detalhada com os pais ou cuidadores.
- Observação do desenvolvimento global da criança.
- Avaliação do comportamento e da comunicação.
- Uso de instrumentos padronizados (ex.: ADOS-2, ADI-R, M-CHAT-R/F, escalas de desenvolvimento).
- Relatórios da escola e de profissionais que acompanham a criança (fonoaudiólogo, psicólogo, terapeuta ocupacional).
Importante: Quanto mais cedo os sinais forem identificados e investigados, melhores as oportunidades de intervenção e desenvolvimento da criança.
QUAIS EXAMES PODEM FAZER PARTE DA AVALIAÇÃO CLÍNICA DO TEA?
Os exames não diagnosticam autismo. Eles são solicitados quando há sinais ou sintomas associados, para investigar possíveis condições clínicas, metabólicas, nutricionais ou genéticas que podem influenciar o desenvolvimento.
| EXAME | PARA QUE SERVE |
| Hemograma completo | Avalia anemia, infecções e alterações gerais. |
| Ferritina | Avalia estoques de ferro no organismo. |
| Ferro sérico e IST (Saturação de Transferrina) | Investigam deficiência de ferro. |
| Vitamina B12 | Deficiência pode afetar desenvolvimento neurológico. |
| Ácido fólico | Importante para formação do sistema nervoso. |
| Vitamina D | Deficiência associada a alterações de humor, imunidade e desenvolvimento. |
| Zinco | Deficiência relacionada à imunidade, paladar, apetite e desenvolvimento. |
| Magnésio (quando indicado) | Pode estar relacionado a irritabilidade e alterações neurológicas. |
| TSH e T4 livre | Avaliam função da tireoide. |
| Avaliação auditiva (PEATE ou audiometria) | Descarta alterações auditivas que podem interferir na fala e interação. |
| Testes genéticos (Cariótipo, Frágil X, CMA) | Indicados quando há sinais de síndromes genéticas ou atraso global do desenvolvimento. |
| EEG | Solicitado quando há suspeita de crises epilépticas, regressão, estereotipias complexas. |
| Ressonância magnética de crânio | Indicada em casos específicos: microcefalia, malformações, regressão ou alterações neurológicas. |
SELETIVIDADE ALIMENTAR NO TEA
A seletividade alimentar é muito comum em crianças com TEA, podendo estar relacionada a fatores sensoriais, comportamentais e genéticos.
Possíveis consequências nutricionais:
- Deficiências de ferro, zinco, vitaminas do complexo B, vitamina D e cálcio.
- Baixo ganho de peso e estatura.
- Fadiga, irritabilidade e alterações no sono.
- Impacto no sistema imunológico e no desenvolvimento.
Quando investigar?
Quando a criança tem alimentação muito restrita, recusa diversos grupos alimentares, apresenta queda do crescimento ou sintomas como fadiga, palidez, irritabilidade e queda de cabelo.
Dicas práticas para os pais:
- Ofereça alimentos de forma respeitosa e repetida.
- Evite pressão e punições na hora das refeições.
- Mantenha rotina e ambiente calmo.
- Busque apoio de nutricionistas e terapeutas ocupacionais.
QUANDO PROCURAR UM NEUROPEDIATRA?
- Atraso na fala ou comunicação.
- Dificuldade de interação social.
- Comportamentos repetitivos ou interesses restritos.
- Mudanças regressivas no desenvolvimento.
- Seletividade alimentar importante com impacto no crescimento ou na saúde.
Confie no seu instinto. Se você, como pai ou cuidador, está preocupado, procure avaliação especializada.
MITOS E VERDADES
| MITO | VERDADE |
| Autismo tem cura. | Não é uma doença e não tem cura. É uma condição neurobiológica que acompanha a pessoa. |
| Vacina causa autismo. | Estudos científicos já comprovaram que não existe relação entre vacinas e autismo. |
| Toda criança com TEA tem altas habilidades. | Cada criança é única. Algumas têm habilidades específicas, outras apresentam mais dificuldades. |
| Autista não sente emoções. | Autistas sentem emoções intensas, apenas podem expressá-las de forma diferente. |
| Criança autista não pode aprender. | Todas as crianças podem aprender. O apoio e as intervenções adequadas fazem toda a diferença. |
MENSAGEM DA DRA. MARYLLIA VASCONCELOS
“A informação correta reduz a ansiedade e fortalece as famílias. O diagnóstico do TEA não é um ponto final, é o início de um caminho de compreender, aceitar e potencializar habilidades. Meu compromisso é avaliar cada criança de forma individualizada, acolhendo sua história e orientando os pais com segurança, evidência científica e empatia.”
Informação de qualidade gera tranquilidade!
Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui a consulta médica. Em caso de dúvidas sobre o desenvolvimento do seu filho, procure um profissional.
Referências principais
- American Academy of Pediatrics (AAP). Clinical Report: Autism Spectrum Disorder: Updated Guidelines for Identifying and Evaluating Children.
- Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Transtorno do Espectro do Autismo, Manual de Orientação.
- Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Autism Spectrum Disorder (ASD).
- Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-5-TR). American Psychiatric Association, 2022.
- Organização Mundial da Saúde (OMS). CID-11: 6A02 Transtorno do Espectro do Autismo.

Dra. Maryllia Vasconcelos
Neurodesenvolvimento infantil
CRM-CE 17749